quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LINGUAGEM: NATUREZA E AQUISIÇÃO

Linguagem - uso de um meio organizado de combinar palavras para fins de comunicação.


Propriedades da Linguagem:
1. Comunicativa
2. Arbitrariamente Simbólica
3. Regularmente Estruturada
4. Generativa, Produtiva
5. Dinâmica


Descrição da Linguagem: 
Usamos os termos decodificação e codificação para indicar tanto a codificação semântica quanto a não-semântica da informação, em uma forma que se pode ser armazenada na memória. Quando aplicada à linguagem, a codificação envolve a transformação de nossos pensamentos em uma forma que pode ser expressa como output linguístico. Os linguistas usam o termo compreensão verbal (capacidade receptiva para compreender o input linguístico), e fluência verbal (capacidade expressiva para produzir o output linguístico).


Aquisição da linguagem:
1. Arrulhamento
2. Balbuciação
3. Elocução de uma palavra
4. Elocução de duas palavras
5. Estrutura de frases básicas


"Nem a natureza, nem a educação isoladamente determinam a aquisição da linguagem."



Hipótese gerativo-transformacional. O Inatismo, hipótese abordado por Noam Chomsky, defende que o ser humano é provido de uma gramática inata, ou seja, esta já nasce com a pessoa, e vai tomando forma conforme o seu desenvolvimento. E a criança toma como base para seu desenvolvimento a fala dos adultos, que servem de estrutura para o desenvolvimento de suas próprias regras. A partir do momento que a criança incorpora como modelo algumas estruturas da língua mãe, não é porque imitou, mas por que incorporou novos modelos de regras para sua língua.  O cognitivismo construtivista, faz-se um paralelo contraditório entre o behaviorismo de Skinner que defendia que a linguagem era um conjunto de comportamentos e o inatismo de Chomsky que afirma que a linguagem vem de uma herança genética, isto é, inata, onde se nasce com uma gramática na mente e que se desenvolve no decorrer do tempo. Diz ainda que se a criança dependesse de aprender através de imitação, como ressaltava o behaviorismo, ela nunca teria uma gramática perfeita.
A Gramática Universal e sua relevância, atentando para aspectos importantes abordados por Lyons sobre a teoria chomiskiana.
Primeiro ele mostra como o mentalismo chomiskiano, se caracteriza como antimaterialista e antibehaviorista, discordando que a linguagem é igual a qualquer outro comportamento que pode ser explicado através de estímulos – reforço – resposta, e ainda que essa vem de experiências com o meio.

Problema

"é a situação na qual você está  tentando alcançar um objetivo e deve encontrar um meio de chegar lá".


ETAPAS NA RESOLUÇÃO DE UM PROBLEMA


1ª Identificação: identifica-se a questão básica a ser respondida.
2ª Definição: definição e representação do problema. (ETAPA MAIS IMPORTANTE)
3ª Elaboração de Estratégias: planejamento de estratégia. Análise e síntese. 
Pensamento Divergente: o famoso leque de opções;
Pensamento Convergente: escolha da opção mais adequada.
4ª Organização da Informação: organiza estrategicamente a informação que seja mais adequada.
5ª Alocação de Recursos: Implementação das estratégias.
6ª Monitoramento: utilização de recursos cognitivos para realizar o monitoramento do trabalho.
7ª Avaliação: conduz todo processo de resolução. Ocorre dentro de um ciclo de resolução de problemas e pode levar a redefinição de processos.


ESTRUTURA DOS PROBLEMAS


Problema Bem-Estruturado:
Problemas que apresentam caminhos claros para resolução.


Problema Mal-Estruturado:
Problemas sem caminhos claros, nem específicos. Com várias soluções possíveis.


HEURÍSTICA
Estratégias para solução de problemas. Táticas utilizadas pelo sujeito na busca de uma solução.


TRAJETO AO ACASO: busca aleatória para a solução. Método da tentativa e erro;
ANÁLISE DE MEIOS E FINS: descobrir diferenças entre o estado atual e estado desejado e definir as operações que a reduzem;
ESTABELECIMENTO DE SUBOBJETIVOS: escolher um estado intermediário para alcançar um objetivo temporário;
GERAR E TESTAR: gerar um número mínimo de soluções e testá-las.


OBSTÁCULOS À RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS


ENTRINCHEIRAMENTO: uso de uma única estratégia.
FIXIDEZ FUNCIONAL: incapacidade para ver novas utilidades em velhas ferramentas.
ESTEREÓTIPO: crença de que grupos sociais tendem a ter, de modo uniforme, um conjunto de características. 
TRANSFERÊNCIA NEGATIVA: resolução de problemas anterior atrapalha resolução de novo problemas.


AUXÍLIO À RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS


TRANSFERÊNCIA POSITIVA: transferência de solução adequada.
TRANSFERÊNCIA ANALOGIAS - TIPO DE TRANSFERÊNCIA POSITIVA: problemas na busca e percepção do isomorfismo.
TRANSFERÊNCIA INTENCIONAL: aplicação da estrutura e não do conteúdo.
INCUBAÇÃO: colocação do problema a parte por algum tempo. Eliminação de efeitos negativos de configuração mental.

Alterações na Linguagem

Predominantemente Funcional

DISFEMIAS

São perturbações intermitentes na emissão das palavras, sem que existam alterações dos órgãos da expressão. Neste grupo de transtornos da linguagem o distúrbio mais importante é a gagueira (tartamudez). A Disfemia é uma desordem da comunicação humana que vem despertando a curiosidade de fonoaudiólogos, foniatras, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais afins, além de leigos que lidam com indivíduos portadores de gagueira . Caracteriza-se por hesitação, silabação, precedida ou intercalada dos fonemas qui, que, ga, gue. A gagueira revela a tendência de aumentar ou diminuir sob a influência da emoção.

DISFONIAS


Não se trata, propriamente, de alteração da linguagem, mas de defeitos da voz consequentes a perturbações orgânicas ou funcionais das cordas vocais ou, ainda, como conseqüência de uma respiração defeituosa. Seria então, a Disfonia, um distúrbio da voz, como rouquidão, soprosidade ou aspereza.
A Disfonia é subdividida em:

a) Disfonia Funcional: Alteração da voz resultante de abuso vocal ou mal uso. Não apresenta qualquer causa física ou estrutural.
b) Disfonia Orgânica: Alteração da voz, causada ou relacionada a algum tipo de condição laringiana ou doença.
LOGORRÉIA: Na vida comum encontramos muitos charlatães cuja incontinência verbal poderia ser comparada a uma forma menor e de certo modo subnormal da logorréia: o palavrório feminino fútil e inconsistente de certas reuniões sociais, a facúndia e conversa cínica de certos embusteiros, as explicações discursivas intermináveis de propagandistas e vendedores.
A logorréia é comum em todos os casos de excitação psicomotora, principalmente nos estados maníacos e hipomaníacos, na embriaguez alcoólica; em casos de demência senil, a logorréia está reduzida, muitas vezes, a um verbigeração incoerente.

BRADILALIA: Consiste numa diminuição da velocidade de expressão, como resultado da lentidão dos processos psíquicos e do curso do pensamento. Observa-se no parkinsonismo pós-encefalítico, em casos de epilepsia pós-traumática.

VERBIGERAÇÃO: É a repetição incessante durante dias, semanas e até meses, de palavras e frases pronunciadas em tom de voz monótono, declamatório ou patético. É observada nos estados demenciais, em psicoses confusionais e na esquizofrenia, especialmente na forma catatônica.

MUTISMO: Mutismo é a ausência de linguagem oral. O mutismo tem origem e mecanismos os mais variados. Nas doenças mentais, é observado nos estados de estupor da confusão mental, da melancolia e da catatonia; nos estados demenciais avançados, na paralisia geral e na demência senil. Na esquizofrenia, o mutismo adquire uma importante significação. Pode decorrer, nesse caso, de interceptação do pensamento, de perda de contato com a realidade, de alucinações imperativas ou de idéias delirantes de culpabilidade. Com muita freqüência, os catatônicos não falam nem respondem ao interrogatório, dando-nos a impressão de que se encerram voluntariamente no mais completo mutismo.

MUSSITAÇÃO: É a expressão da linguagem em voz muito baixa; o enfermo movimenta os lábios de maneira automática, produzindo murmúrio ou som confuso. É um sintoma próprio da esquizofrenia.

ECOLALIA: Ecolalia é a repetição, como um eco, das últimas palavras que chegam ao ouvido do paciente. Em condições patológicas, observa-se nos catatônicos. O fenômeno tem muita semelhança com a perseveração do pensamento, observada nos epilépticos. Os enfermos repetem como um eco não só as palavras que lhes são dirigidas, como partes de uma frase que escutam ao acaso.
Não se pode fazer distinção clara entre a ecolalia manifestada por um esquizofrênico crônico e um enfermo portador de um transtorno cerebral orgânico, pois ambos os pacientes podem ter em comum uma notável alteração dos processos intelectuais e da intencionalidade.

NEOLOGISMO: Neologismos são palavras criadas ou palavras já existentes empregadas com significado desfigurado. Pode ser um sintoma comum na esquizofrenia.

Alterações na Linguagem

Alterações Predominantemente Orgânicas

DISARTRIA: Consiste na dificuldade de articular as palavras, normalmente resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação. A perturbação é mais acentuada quando se trata de pronunciar as consoantes labiais e linguais, as quais são omitidas ao dizer as palavras, ou a pessoa titubeia ao pronunciá-las. A alteração torna-se mais evidente quando se utilizam as frases de prova, como por exemplo, pedindo ao paciente que pronuncie "sou caricaturista, vou caricaturar-me no caricaturista", ou "artilheiro de artilharia", "ministro plenipotenciário". 
Os sintomas iniciais da Doença de Parkinson por exemplo, incluem modificação na escrita, por exemplo, assinatura diferente, perda da agilidade muscular para atos que eram até então corriqueiros, lentidão da marcha e Disartria.

DISLALIA: Consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A falha na emissão das palavras pode ainda ocorrer a nível de fonemas ou de sílabas. Assim sendo, os sintomas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação os fonemas.
Até os quatro anos, os erros na linguagem são normais, mas depois dessa fase a criança pode ter problemas se continuar falando errado. A Dislalia, troca de fonemas (sons das letras), pode afetar também a escrita. Na prática o personagem Cebolinha, de Maurício, é um exemplo de criança com Dislalia. Ele troca o som da letra R pelo da letra L.

PARAFASIA: As parafasias verbais consistem na utilização de uma palavra por outra. A palavra proferida apresenta, algumas vezes, uma relação de ordem conceitual com a palavra substituída (garfo por colher, lápis por borracha) ou de ordem fonética (pêra por cera, marco por barco), porém sua utilização freqüentemente parece ocorrer ao acaso. As parafasias literais correspondem a uma deslocação da estrutura fonêmica das palavras, com elisão, inversão de sílabas, substituições, uso de palavras deformadas, porém ainda identificáveis (reutamismo por reumatismo, biciteta por bicicleta) ou de neologismos totalmente sem significado (para um lápis, logamentase, tipão, pinhão de caça...).

JARGONOFASIA: É uma linguagem constituída de parafasias verbais e literais, freqüentemente associado a uma dificuldade sintáxica (dissintaxia) que, diferente do agramatismo, não é uma redução econômica da linguagem, mas sim uma utilização defeituosa da organização gramatical: ex.: "o amigo onde passei as férias". Normalmente, o jargonafásico não toma consciência da desorganização em sua linguagem (anosognosia) mas, com o passar do tempo pode surgir alguma atitude crítica que permite ao paciente reconhecer seus erros e tentar corrigi-los.

DISLEXIA: Dislexia é um distúrbio específico da linguagem caracterizado pela dificuldade em decodificar (compreender) palavras. Segundo a definição elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, trata-se de uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se frequentemente entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar. Resumidamente podemos entender a Dislexia como uma alteração de leitura. 
O diagnóstico da Dislexia é muito semelhante ao do de outros distúrbios de aprendizagem. Por isto, é preciso muito cuidado para não rotular toda e qualquer alteração de leitura como Dislexia. A Dislexia tem sempre como causa primária a relação espacial alterada, fazendo com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita. O diagnóstico da Dislexia exige quase sempre uma equipe multidisciplinar, formada por neurologista, psicólogo, psiquiatra e psicopedagogo. Esta equipe tem a função básica de eliminar outras causas responsáveis pelas trocas de letras e outras alterações de linguagem. 

AFASIA: Uma lesão cerebral de extensão limitada interessando o hemisfério esquerdo de uma pessoa destra poderá fazê-la perder a capacidade de utilizar a linguagem como meio de comunicação e como meio de representação simbólica: o indivíduo não poderá se exprimir oralmente ou por escrito de uma forma inteligível; ele não mais decifra as mensagens que recebe sob a forma de linguagem falada ou escrita.
Afasia pode ser entendida como uma perturbação da linguagem caracterizada pela perda parcial ou total da faculdade de exprimir os pensamentos por sinais e de compreender esses sinais. Alguns autores referem a Afasia como a perda da memória dos sinais pelos quais se realiza a troca idéias. De qualquer forma, o fato dominante na Afasia é a incompreensão da palavra falada e a impossibilidade, em grau variável, de ler ou de escrever.

CAUSAS DA AFASIA

Na ordem decrescente de importância, as causas da Afasia são as seguintes: 
a) desordens vasculares
b) traumatismos que atingem o hemisfério esquerdo; 
c) processos inflamatórios; 
d) escleroses disseminadas e encefaloses; 
e) abscessos e gomas; 
f) tumores; 
g) hematomas.
Podem-se observar Afasias transitórias no curso da uremia, diabete, intoxicações, na epilepsia e na enxaqueca. 


AFASIA DE BROCA: A afasia de Broca caracteriza-se por grande dificuldade em falar, porém a compreensão da linguagem encontra-se preservada. Essa síndrome é também dita como afasia não fluente, de expressão ou motora: os pacientes conseguem executar normalmente a leitura silenciosa, mas a escrita está comprometida. Esses pacientes possuem, ainda, fraqueza na hemiface e membro superior direito (devido à proximidade das regiões afetadas pelo distúrbio circulatório). Os pacientes têm consciência do seu déficit e se deprimem com facilidade (frustração). Entretanto, o prognóstico é bom quanto à recuperação de parte da linguagem falada, embora sejam necessários meses para a realização de uma fala simples, abreviada, ainda que não fluente.

AFASIA DE WERNICKE: A afasia de Wernicke caracteriza-se por dificuldade na compreensão da linguagem, a fala é fluente e faz pouco sentido. Essa síndrome é também denominada afasia fluente, de recepção ou sensorial. Diferente dos pacientes com afasia de Broca, os pacientes com essa síndrome começam a falar espontaneamente, embora de modo vago, fugindo do objetivo da conversa. Pode existir parafasias, isto é, uma palavra substituindo outra, como chamar uma colher de garfo (parafasia literal), ou um som substituindo outro, como ao chamar uma colher de mulher (parafasia verbal); geralmente, não apresentam fraqueza associada, os pacientes não se dão conta de seu déficit e a recuperação é mais difícil.

AGRAMATISMOO agramatismo é uma evolução freqüente da Afasia e reflete uma importante redução da linguagem. A utilização prevalente de substantivos, juntamente com o emprego sistemático de verbos no infinitivo e a supressão de pequenos instrumentos de linguagem (artigos, preposições...) determinam uma forma de expressão semelhante a uma linguagem primitiva (mim Tarzã, you Jane) ou de um estilo telegráfico, com uma linguagem econômica, reduzida, concreta, pobre, sem flexibilidade e sem possibilidade de abstração.